quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

BRINQUEDOTECA

ARTIGOS

Segundo Cunha (1998, p. 412), o valor de uma Brinquedoteca está no fato de ser um espaço que “[...]

Desfralda a bandeira da luta pelo direito que toda a criança tem ao brinquedo e contribui fundamentalmente para a construção de um mundo melhor, baseado numa relação humana mais sensível e autêntica”.

Dessa forma, a extrema importância do jogo na vida da criança basta para justificar a criação e a funcionalidade de uma Brinquedoteca. No entanto, vale lembrar que para o seu bom funcionamento, tal instituição precisa estar sedimentada a partir de objetivos e funções bem definidas que ajudem a promover o desenvolvimento infantil. Para Cunha (1992, p.37-8), esses objetivos são, entre outros:

1. favorecer o brinquedo e criar oportunidades para que o maior número de crianças possa usufruí-lo;
2. resgatar a alegria de poder experimentar, descobrir e criar, tirada pela escola dia após dia;
3. assegurar a integração entre adultos, jovens, crianças e objetos em busca da comunicação, expressão, criatividade, conhecimento e prazer;
4. proporcionar aos pais e familiares mais um espaço para a discussão sobre desenvolvimento, aprendizagem e educação infantil.

Todas essas possibilidades que a Brinquedoteca pode fomentar é que nos leva a questionar cada vez mais a existência de espaços reservados a esse fim, onde seja possível a convivência com as outras crianças, de forma enriquecedora. O que se defende aqui é a necessidade de uma ação pedagógica voltada para a criação de espaços e cenários dentro da escola, que oportunizem a atividade criadora, a imaginação, a experiência ativa e prazerosa com objetos e pessoas, permitindo a aquisição/ressignificação de conhecimentos que se movimentem em direção ao saber.
Infelizmente, enquanto visualizamos uma nova concepção de educação, em que o lúdico se constitui no cerne da construção do conhecimento, o projeto da pré-escola ainda continua pautado no modelo tradicional, cujo principal objetivo é a instrução e o treino de habilidades e de conteúdos específicos de leitura, escrita e cálculo, onde as crianças ficam sentadas, apenas vendo e ouvindo, aprendendo só com os olhos e ouvidos. Ignora-se o resto do corpo, uma vez que se considera os aspectos afetivo e motor como processos estanques, sem nenhuma relação com o processo de aprendizagem.
Não queremos com isso dizer que a pré-escola deixa de utilizar a brincadeira como uma atividade pedagógica. No entanto, segundo pesquisas de Wajskop (1999), quando ela abre espaço para o exercício do lúdico, atribui a esta atividade uma função contraditória a de práxis social infantil: ou usa a brincadeira simplesmente como material didático com vistas à aquisição ou treino de habilidades que facilite o processo de alfabetização ou como uma atividade recreativa utilizada exclusivamente em momentos de lazer e de descanso.
No primeiro caso, evidenciam-se apenas os objetivos instrucionais, enquanto as maiores contribuições do brincar ficam esquecidas; no segundo caso, fragmentam-se as atividades, considerando a brincadeira como um momento de ociosidade e falta de ocupação em contraposição à seriedade dos exercícios e aprendizagens planejadas pelo professor.

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